segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A exploração do homem pelo homem

O que é Anarquismo?

Muitos teóricos anarquistas e políticos tentam definir o que realmente é o anarquismo e suas concepções, muitos argumentam que o anarquismo é a ausência de ordem, é o caos instaurado, já muitos teóricos anarquista definem o como a ausência de governo/estado. [1]

Porém, vamos nos centrar no principal axioma do anarquismo;

”O Fim da exploração do humano pelo humano”, eis o axioma central do anarquismo, desde axioma se tira toda a abordagem teórica e prática do anarquismo na história, olhamos as práticas na AIT quando Bakunin enfrentou Karl Marx, olhamos as idéias libertárias de Déjacques que criticou Proudhon em seu jornal
"Le Libertaire, Journal du Mouvement social" e também o criador do termo libertário, temos as práticas em revoluções como a Comuna de Paris, Território livre da Ucrânia, CTI na Espanha, e outros locais.

O que é o axioma anarquista de onde surge todas as teorias e práticas anarquistas?

Nós anarquistas, observamos o mal na sociedade seja capitalista, socialista, religiosa, seja principalmente em ditaduras, que é a exploração. A exploração contínua do ser humano com o outro ser humano (não irei focar na exploração animal aqui), a sociedade capitalista principalmente está organizada em hierarquias, uma pirâmide por assim dizer;




A hierarquia é sempre piramidal, não existe outra forma de organização social no capitalismo que não seja assim, o capitalismo assume formas variadas ao longo do tempo, foi industrial, hoje é tecnológico/financeiro, o capitalismo também foi mascarado, as teorias demonstram que é um sistema baseado no “livre-mercado”, “livre-concorrência” e “liberdade individual”, toda uma gama de estudos e artigos foi criada a partir desses pressupostos, porém, não é fatídico na prática, primeiramente que o comércio não passa de um intermediário entre o produtor e o consumidor, apenas um entrave para a liberdade individual de escolha. 
No sistema capitalista o principal foco é o acumulo cíclico de capital, porém o capital só tem valor devido a propriedade privada, a propriedade privada por sua vez só tem valor pelo uso do estado como motor social, os ultraliberais* por sua vez percebem a propriedade privada como um fator natural e absoluto que não depende do estado para existir. 


Não entraremos em questão o que é propriedade privada nem de estado*, pois o foco é o axioma e como surge todas as teorias do anarquismo. 



Podemos perceber que em um sistema piramidal de organização social, sempre vai existir exploração, independente se é voluntário, pois a exploração não é necessária ser voluntária basta ter os motivos que o façam se voluntária, o fato de um trabalhador aceitar um contrato empregabilistico não faz com o que o trabalhador se voluntário a isso, e sim que ele depende desse contrato para que possa sobreviver dentro do sistema, não que dizer que ele aceitou todos os termos do contrato, que dizer que ele está apenas desesperado para comer, comprar suas vontades e apaziguar suas necessidades, a idéia de voluntariedade no capitalismo não se demonstra na prática. [2]



A exploração no capitalismo é evidente pela sua forma organizacional, pelo seu lucro e pelo desemprego presente em qualquer país do globo,  podemos observar que a exploração existe, por causa da centralização de poder nas tomadas de decisões, pegue o exemplo de uma empresa qualquer que contenha a piramidal, as tomadas de decisões são feitas puramente individual (CEO, Patrão) e imposta para as camadas abaixo (Gerente, Supervisor, Encarregado) e essa camada abaixo impõe para a camada mais abaixo (Trabalhador), que por sua vez tem duas escolhas, obedece sem reclamar, acatando a ordem dos superiores, ou, demonstrando o erro dos superiores e sendo assediado no emprego, não que os superiores só errem, porém nenhum superior assume seus erros, meu caro leitor entenda que esse texto é baseado em observações, leitura e práticas no dia-a-dia, não são teorias liberais ou perspectivas de Supervisor, Encarregado e Gerente, e sim na visão do trabalhador que tem que acatar a eles, sabemos que supostamente os nossos superiores querem o “melhor”, mas entendemos que, é o “melhor” para a empresa e não para nós reles funcionários, acatamos, se acertamos é mérito dos superiores travestido em “trabalho em equipe”, se erramos os superiores vem com pedras e paus em nós, ai não existe “trabalho em equipe”, em qualquer empresa meu caro leitor você percebe isso.




Temos também esse tipo de exploração no sistema socialista estatal (marxista), onde as tomadas de decisões estão centradas em um ponto apenas, toda a distribuição é feita desse ponto em diante, quem está no ponto central no marxismo é que ditaria a distribuição equitativa, não teríamos nenhuma opção de escolha até não passar por esse ponto central, o trabalhador ficaria tão sufocado quanto é no sistema capitalista, infelizmente o socialismo marxista não é antagônico ao sistema, mas, sim sua complementação teórica e prática, o socialismo é a superação do capitalismo, porém dependerá da forma aplicada a essa superação, e dessa forma aplicada, vamos verificar apenas realmente a superação e não sua abolição, mas, sim apenas uma forma nova de exploração assalariada, o socialismo dependeria não só do tempo necessário para produzir, mas também sua “recompensa” pelo tempo produzido, não seria muito diferente do que é o sistema capitalista, ao invés de excluir classes, ele incorpora todas nos sistema sem classes sem chance de fuga.

A hierarquia no socialismo marxista ficaria mais ou menos assim:

Claro que é apenas uma noção meus caros marxistas, porém, não vamos nos esquecer das práticas históricas de vocês, e nem de como Marx era autoritário, sabemos também do comunismo de conselho ou então o marxismo autogestionário, que nada mais são do que um marxismo de roupagem nova com uma velha teoria.

Sistemas que ainda visam a intermediação entre produtor e consumidor (comércio) ou então a equitividade do comércio (marxismo) são categoricamente exploradores, em suma o produtor e consumidor são naturais no marxismo, porém, ainda tem a centralização das tomadas de decisões e um capital de giro no mesmo, fazendo com que alguns seja desiguais a outros, mesmo não tendo mais o entrave comercial.

Diante disso, o axioma anarquista central parte desses pressupostos existentes em qualquer ideologia baseada em comércio,mercado, tomada de poder pelo estado, centralização das tomadas de decisões, o anarquismo almeja o fim da exploração do humano pelo humano, que o ser humano seja livre para produzir, consumir e trocar (trocas essas totalmente diferente propagada por liberais e ultraliberais), desse axioma central, o anarquismo sustenta toda sua teoria, o anarquismo é anticapitalista, antimarxista, antiautoritario e antimercado/comércio.

Próximo texto, irei explicar porque o mercado, comércio é um roubo, um esquema global de exploração, um entrave para a liberdade individual.


Ref:

[1] Anarquismo Enciclopédia Britânica
[2] "Contrato Voluntário no Capitalismo"

Se define ultraliberais, aqueles que levam o capitalismo ao extremismo sem
olha sua superestrutura, ultraliberais se intitulam como "anarco-capitalistas" e concebem um "anarquismo de mercado".
* Um texto sobre o estado e a propriedade privada está sendo produzido, vamos falar não só desses tema como também apresentar fatos que demonstram que o mercado só existe por causa do estado.
 



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Rebeldes Ignorantes.

Para começar a analise, eu quero começar com essa perspectiva do maior expoente da escola austríaca Mises:
"Liberalismo não é anarquismo, nem tem absolutamente nada a ver com anarquismo. O liberal entende claramente que, sem recorrer à compulsão, a existência da sociedade estaria ameaçada e que, por trás das regras de conduta cuja observância é necessária para assegurar a cooperação humana pacífica, deve estar a ameaça da força, se todo edifício da sociedade não deve ficar continuamente à mercê de qualquer um de seus membros. É preciso estar em uma posição para obrigar a pessoa que não respeita a vida, a saúde, a liberdade pessoal ou a propriedade privada dos outros a aceitar as regras da vida em sociedade. Esta é a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção da propriedade, liberdade e paz."
O que podemos tirar dessa simples frase, que o liberalismo é estadista, mas, isso não quer dizer muita coisa também, ora, temos o “extremo” do liberalismo que se intitula anarquista, ou como gosto de chama-los, ultraliberais, que prega o fim do estado, natural, já que as analises dos anarquistas durantes os séculos foi para isso, mas não é bem essa questão que eu quero retratar aqui, o ponto que eu quero tratar é a dissonância cognitiva dos ultraliberais sobre o aspecto acima.
Vamos lá, o livre-mercado não pode existir sem estado, o estado deve garantir de acordo com Mises a proteção da propriedade, a liberdade e a paz, o estado para Mises nada mais é do que um meio para garantir o fim, ou seja, ele quer que o mercado seja livre, mas, não quer que livre sejam as pessoas para tal, eis que Rothbard proclama o fim do estado, concebendo que a competição e a “auto-regulação” do mercado fomenta a proteção da propriedade, liberdade e paz, perceberam que a duas concepções do liberalismo, perceberam que á duas vias para a mesma ideologia? 
Perceberam que existe o liberalismo estadista e o liberalismo anti-estadista?
Pois bem, agora segue uma analise do outro extremo.
”Karl Marx define o estado como forma final do poder, ou seja, o estado é o poder em si. Entendo que o estado, é um destacamento avançado da burguesia, sendo defensor, exclusivamente dos interesses das classes dominantes (incrível que podemos destacar isso exatamente da frase de Mises), as quais, o mantem, com o único objetivo de manter seu controle sobre a sociedade (lembra aqui de Mises: “Esta é a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção da propriedade, liberdade e paz”). Cabendo, as classes sociais, posicionados abaixo das classes dominantes, a luta pela tomada do controle da estrutura estatal, com o objetivo de atingir, não somente o poder estatal, também como ferramenta fundamental para a distribuição das riquezas e criação de uma sociedade mais justa e igualitária.”
O que podemos destacar aqui, que a perspectiva liberal de ter o estado como controle e preservação da sociedade, não é tão diferente da perspectiva socialista marxista, podemos observar, que enquanto para Mises, a sociedade continuaria da mesma maneira, porém, com o mercado livre para “melhorar as condições da classe baixa”, para Marx, a classe baixa deveria assumir o controle do estado para melhorar suas próprias condições.
Explicado mais ou menos a equivalência do liberalismo e socialismo marxista, vamos para o extremo do socialismo, o anarquismo.
Para nós socialistas libertários, o estado nada mais é do que uma forma própria de poder e dominação, que não importa se seja liberal, proletária ou qualquer outra ideologia que tenha o estado como ferramenta, sempre vai ser anti-liberdade e autoritarismo, o socialismo libertário surgiu praticamente com Proudhon, Dejacques e Bakunin, o ultimo enfrentando Marx na AIT, o socialismo libertário é diferente do socialismo marxista, não na questão teórica da analise do capitalismo, mas, sim na questão prática, o socialismo marxista quer usar o estado como uma ferramenta para abolir o capitalismo, enquanto o socialismo libertário quer o fim do estado e capitalismo para chegar a uma sociedade libertária e justa.
Vamos aqui aos fatos que compõe as teorias e práticas ao longo dos séculos, o anarquismo surge no seio da AIT como uma contra-posição ao socialismo marxista, sua origem não está exatamente nos anarquistas clássicos, e sim no meio da massa operária, podemos constatar eventos anarquistas ao longo da história, mas isso não vem por agora, o capitalismo desde 1450 até hoje é visto pela concepção dos modos de produção e como a sociedade capitalista esta baseado, então, qualquer referencia liberal sobre escambo, mercado é totalmente supérfluo e limitado para a descrição do capitalismo em si, vamos colocar aqui que o corporativismo nada mais é do que o capitalismo, não existe diferença, sendo que existe propriedade privada, acumulação de lucro, exploração assalariada, centralização das tomadas de decisões, o aparato jurídico, policial e estatal vão proteger os capitalistas em qualquer forma.
Então, podemos concluir que o anarquismo antes de tudo é um socialismo, pois, prega a igualdade social, econômica e jurídica, á desavença entre anarquistas e marxistas, como á desavenças entre liberais e ultraliberais, ou seja, se apropriar do termo anarquismo e o clamar como só pode ser anarquista se for capitalista, ignora todos os fatos, teorias e histórico de lutas que compõe o anarquismo, nesse quesito não entra a noção de P.I. (Propriedade Intelectual), dado que esses tipos de propriedade só é possível por causa do lucro em si, o anarquismo não é uma teoria que busca o lucro, e sim se livrar do mesmo, o anarquismo é e sempre será anticapitalista, antiautoritário, antiestadista, o anarquismo sempre vai apoiar, a auto-gestão, auto-responsabilidade, autonomia, apoio mútuo, respeito mútuo, solidariedade, ação direta, entre outras tantas teorias e práticas formadas através do tempo, não é sectarismo, é noção e prática, o anarquismo é um movimento operário e das classes oprimidas, e não um movimento burguês, o anarquismo concebe o humano antes das abstrações que o mesmo cria, e nunca vai conceber as abstrações antes do ser humano (abstrações = economia, politica, justiça), o anarquismo é baseado na ética imanente, e não na ética que tenta justificar a propriedade privada.
O anarquismo concebe a propriedade privada como descrito por tantos autores ao longo do tempo, o anarquismo não acha que o ser humano é uma mercadoria para ser propriedade privada, o anarquismo sugere que o ser humano é uma pessoa orgânica com autonomia para decidir sobre sua vida, respeitando as demais vidas pelo planeta.
A todos os liberais que são apenas rebeldes sem causa, a todos os pro-capitalistas que o clamam como o “único verdadeiro”, as evidências sociais e históricas demonstram claramente o contrário, todos os anarquistas são socialistas libertários, e todos os libertários são comunistas, achem uma outra aspiração, outra explicação para seu mundo, não contamine o anarquismo com a moral burguesa, pois a moral burguesa é mentirosa, inescrupulosa e assassina!
Todos revolucionários são rebeldes, mas, nem todos rebeldes são revolucionários.

A falsa caridade cristã

As caridades cristãs na humanidade, não apagam sua postura, antiética, anti-cientifica e imoral, não apaga seu conservadorismo extremo e sua perspicácia em "domar o gado" , as caridades cristãs não retiram sua responsabilidade por inúmeras pessoas que foram mortas, trucidadas, desapropriadas, ignoradas, assaltadas pelo cristianismo, as caridades cristãs de longe apagam toda a dor, todo o ódio, todo o rancor que criou durante seus 2.000 anos de ditaduras e imposições. Achar que alguns ditos seres se declararem cristãos, vai apagar o que a religião fez é burrice e ignorância (e não só a cristã, todas elas), se você é cristão hoje, pode ter certeza que seus antepassados foram forçados a serem cristãos, se não fosse, ou eles eram expulsos de suas comunidades, ou então mortos por heresia, o histórico de agressão religiosa continua até hoje, quantos "hereges" você já não excluiu do seu circulo religioso?
Da mesma forma que as caridades estatais e capitalistas de longe apagam toda sua imposição e ditadura, estado, religião e capitalismo são frutos da mesma semente, essa semente em volta de um idealismo irracional, de começar com a teoria e só depois tentar observar os fatos, de julgar a humanidade do superior (na religião = deus, no estado = aristocratas, reis e no capitalismo = burgueses.) Os que estão lá em cima, acham e somente acham que realmente estão acima de todos, que podem julgar e ditar regras, que podem ultrapassar a autoridade das leis naturais, que podem apagar o instinto de revolta das pessoas.
Um aviso a todos os ditos "superiores", vocês não o são, não são nada, necessitam das classes baixas para se sentirem superiores, necessitam das classes baixas para continuar com suas mentiras religiosas, e necessitam de todo o aparato emotivo disponivel para continuar com essa distopia, usam o medo, ignorância e ao mesmo tempo empatia e coragem das pessoas contra elas mesmas, quando a humanidade perceber que é vocês os profetas de deus, estado e capitalismo (no sentido de dominação socio-economica) que é culpado por todas as atrocidades que ocorreram e vão ocorrer na humanidade, vai ser o dia em que realmente, nenhum ideologia que vocês impõe como verdades universais os salvará, vai ser o dia em que vocês sentirão medo da liberdade humana, vai ser o dia em que vocês irão perecer lentamente no progresso humano.
Religião é demencia coletiva
Mikhail Bakunin